A Encantadora de Unicórnios

Sempre dançou ao ritmo da vida, da magia e felicidade. Ao momento sem amarras ou liberdade condicionada. Bailando com as palavras de histórias de encantar. De cabelo claro e pele amanteigada sorria calorosamente a quem por si cruzava. Sempre marcou a diferença pela diferença em si. Não reconhecia padrões ou pretextos determinados.

Fugia do interior sombrio, amargo e perdido que lhe alimentava as horas vãs. Fugia da invenção, criação e pressupostos que a sua mente criava a todo o segundo.

Corria para longe sem razão aparente. Sem vontade superior pelo desconhecido que assim o determinasse. Corria e não sabia lá estar. Estava onde não estava.

Acreditava. Acreditava demais na simplicidade. No viver o quotidiano sem pensar no amanhã. Intensificava a vida.

Certo dia quando o tempo dava espaço ao tempo e tudo parecia correr a passo acertado, um frenesim robusto de palavras disconexas e confusas originou um terramoto. Abriu um abismo. Abismo esse que jamais se fechou. Encheu-se de pensamentos exacerbados, choros desconcertantes e embaraçosos e medos petrificantes. Encheu-se de dor.

Dor insuportável. Incalculável. As horas de sono encurtaram, as sinapses aceleravam a cada minuto. Uma trovoada difusa e constante. Revia momentos, frases e cronologias. Via significados e supunha entendimentos. Procurava a verdade. Meditava em uníssono com todas as vozes na sua cabeça. Perdia-se no seu tormento.

Fechou-se. Sucumbiu ao cinzento e à penumbra. Isolada na torre mediana não digna de “princesismos” e contos de fada, olhava o futuro oco. Desprovido do sonho e da procura da utopia colorida. Pairava uma névoa desinteressante pelos dias e noites vividas. Afogava-se na tristeza colossal.

A procura da resposta à pergunta não entendida. Queria tentar encher-se de novos sonhos, novas vontades ou novos rumos mas, o nevoeiro teimava em não passar. Assombrava o caminho. Desconhecia o caminho. O seu percurso sempre teve apenas 24 horas. Era-lhe exigido mais tempo. Mais planos. Menos amor e uma cabana. Mais estratégia.

Entregava soluções que vinham por corrigir. Nem um sinal de mais ou menos. Um vazio desesperante. Como viveria a magia assim? Com uma vontade condicionada?

Era preciso fugir daquele reino e conhecer novos prados por explorar. Correr pelas flores de cores mil e encontrar novos impossíveis. Pular a cerca da discórdia interior. Superar e seguir o sol. Onde quer que este levasse, novos unicórnios iriam surgir. Eles estarão sempre lá quando a imaginação flui sem restrições.

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