Pára. Escuta. Olha. Olha e Vê. Muda. Organiza. Recomeça.

Faz tempo. Faz tempo que não olhava para esta página em branco. De modo algum me lembrava, no frenesim dos meus dias, do quanto adoro olhar para esta página em branco. Onde escrevo sem restrição. Sem um rumo definido. Libertação total das correntes que amarram as horas e minutos do dia imparável. É preciso mudar. Mudar a maneira como alocamos o tempo às nossas paixões. Tudo começa por esse problema. As paixões.

Quem me conhece sabe o quanto sou apaixonada pelos projectos em que me envolvo. É um envolvimento tão profundo que se torna rapidamente numa parte de mim. É intrínseco. Não se distingue onde acaba ou começa. Não há divisão espacial ou mental. Os neurónios correm a 1000km/h para novas ideias, propostas, contactos. Um rol operacional e logístico de tempo que não se estende. Distorce. Distorce de coisas que também amo. Afasta-me da família, amigos, relações ou outras novelas nas quais gostaria de estar.

Quando digo novelas falo de outros projectos em que queremos participar mas que não desenvolvem por falta de tempo. Estão sempre ali. Lado a lado com a nossa vontade de os agarrar e abraçar. Cada episódio não traz nada de novo. Passam meses e se olharmos novamente, vamos perceber o enredo todo. Está tudo na mesma. Os personagens principais não se decidem. Andam ali no meio de duas coisas. Essas personagens somos nós. As almas insatisfeitas, as que querem tornar este mundo em muita coisa. Que vivem na angústia de se deitar com o sentimento de coisas por fazer. Que querem fazer. Acontecer. Sonham. Sonham compulsivamente.

Muitas pessoas intitulam-se “dreamers”. Nas startups invariavelmente somos todos “dreamers”. É assim agora e já foi noutras onde estive. Percebo o conceito. É aquilo que sou e sinto. Exagero. Não sei como se assemelham os sonhos da maioria das pessoas. Os meus são muito vívidos. Lembro-me sempre do que sonhei. Quase sempre são coisas aleatórias, tão próprio de sonhar, com momentos que passo no meu dia ou irei passar nos dias seguintes. Transporto para o momento em que durmo coisas do meu dia que preciso de resolver ou novas abordagens a problemas que tenho. Não sei o que é descansar. Tudo está interligado e cada minuto é crucial para desenvolver a minha incessante procura.

Estes meses estive prisioneira da minha vontade e paixão. Amarrei-me a um projecto com aquela alma guerreira de quem sabe que só os detalhes e a entrega torna a realidade mais bonita e brilhante. Através da minha empresa, a Remote Year, estive envolvida na criação de um palácio criativo na minha cidade. Eu gosto de chamar-lhe assim. É um espaço de cowork onde grandes mentes fervilham um futuro diferente. O WIP Lisboa. Sobre isso falo outro dia. Hoje falo sobre o que vem depois de três meses de exaustão. Falo sobre estar longe daqui. Da escrita. Sobre não ter tempo para dar atenção às coisas novas da minha vida. Sobre ter de deixar coisas a meio e sem rumo porque o dia só tem 24 horas.

É preciso parar. 

Olhar à Volta. 

Perceber qual é o novo desafio. 

Lembrar o que nos move.

Organizar as peças. 

Respirar um novo ar. Deixar uma nova brisa entrar pela janela.

No meu caso, obviamente, precisei de viajar. Para me encontrar novamente. Comprei um voo no próprio dia e lancei-me até Lanzarote. Falarei sobre isso também muito em breve.

Hoje queria apenas dizer que estou de volta. Queria avisar os meus companheiros empreendedores, sonhadores, criativos e aos que também acreditam em unicórnios como eu que, a distância, essa coisa que nos transporta para longe do que gostamos, é das mais sábias substâncias da nossa verdade.

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