O amor não serve de nada.

Já diziam os Naifa, “Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada”.

Não serve porque há sempre mais qualquer coisa. Algo a atingir. Temos demasiada ambição. Terá a ambição substituído o amor nos dias que correm? Não deveria o amor, esse sentimento tão nobre e forte, ser a prioridade nas nossas acções? Independente daquilo que queremos naquele futuro longínquo onde as nossas vontades se encontram?

Descia a íngreme rua do Elevador da Bica no habitual frenesim de sexta à noite. Com o copo de cerveja na mão, entre risos e palavras toscas, seguia rumo ao Cais. Começou a conversa habitual da política, discussões sobre o que é importante, o conforto, o ter uma vida com tudo a que se tem direito. “Não será mais importante ter uma vida com todo o amor do mundo.”- perguntei. Chamam-me sonhadora. Chamam-me romântica. Dizem-me que o dinheiro é que move o mundo e que enquanto não perceber isso não vou longe. Vivemos de coisas e não de momentos. Não nos preocupamos com o outro. Só com o tamanho do nosso bolso.

Noutro dia, noutro cenário diferente, disseram-me que os objectivos que temos para o nosso futuro se sobrepõem ao amor. Os sítios onde queremos estar daqui a uns anos são mais importantes que o hoje. Porque é preciso que se construam motivos conjuntos. Que podemos gostar muito de alguém e essa pessoa de nós, mas isso não chega. Temos que querer o mesmo a certa altura. Os objectivos têm um peso maior e devem convergir na mesma direcção.

Também já li que o amor foi inventado pela Disney porque o ser humano é um animal e por isso só procura o melhor par para se reproduzir. Será que o amor não é uma desculpa para darmos maior sentido às nossas escolhas? Para haver um motivo? Uma razão?

Não quero acreditar nisso. Sou romântica. Não daquelas que gostam de chocolates, rosas, casamentos de princesa, dão a mão na rua ou adora peluches fofinhos. Não suporto clichés. Entristecem-me. Mostram-me a falta de criatividade do mundo. Mostram-me que não há esforço por quem amamos. Sou romântica daquele género que acredita que o mundo seria melhor se cada dia nos agarrássemos com unhas e dentes ao que adoramos com fervor em vez de vivermos o orgulho e a rotina.

Quando falo de amor não é só de pessoas e relações. É das pequenas coisas. Das que nos entusiasmam realmente, das que nos dão um brilhozinho nos olhos. Dos nossos hobbies e brincadeiras. Dos cafés com os amigos e abraços à família. Quantas pessoas não saem da nossa vida porque não temos tempo, porque não nos dedicamos, porque não pegámos no telemóvel para ligar a alguém e apenas para correr o feed do Facebook.

Ignoramos a imprevisibilidade da vida. Que amanhã pode não acontecer. Passamos horas a trabalhar para aquele momento em que o dinheiro cai na conta. Para quê? Para entrar na espiral do consumo abrupto. Fazemos planos, projectamos ideias. Não sentimos o agora. Porque o agora é o único que é agora. Que muda tudo. O amanhã é uma hipótese.

“Imagine all the people
Living for today” – John Lennon

2 Comments

  1. MissLilly diz:

    Pois que adorei!!! A maior parte das pessoas acha que o dinheiro traz felicidade pq traz status e isso serve para alimentar o ego. Eu acho que a felicidade está mas pequenas coisas e isso não tem preço. Uma gargalhada com os amigos, uma caminhada na praia com os pés descalços na areia, ver o pôr do. Sol juntos de mãos dadas e sorrir com a cumplicidade de que aquele é o nosso momento e que naquele instante somos felizes 🙂

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