Uma vez Foodie. Uma vez Zoman. Sempre. Sempre.

Agora já se pode falar não é? Já passaram alguns dias e semanas. Já se fez as despedidas e a vida continuou.

Há coisas que nos marcam para sempre. Lamechas, eu sei. Mas se não estão preparados para lamechice, é melhor mudar de canal.

Encaro a minha vida profissional como a minha viagem. Porque viajar não é só um destino exótico. A nossa viagem é todos os dias, no caminho que percorremos. Podemos ter a sorte de muitas vezes encontrar novos lugares e países. Ou por outro lado, podemos ter a sorte de encontrar novas pessoas incríveis. Bem, esse é mais o motto do novo trabalho que tenho agora, o Remote Year. Falarei sobre isso outro dia. Hoje quero falar sobre a Zomato, a cultura dos Foodies e as pessoas inacreditavelmente lindas que conheci. Porque a comida é ela própria uma viagem.

Às vezes ouvimos coisas nas culturas de start-up que parecem cliché. Estranho não é? Uma start-up é suposto ser fora da caixa. Mas há de facto realidades que são indiscutíveis. Os “culture fit” e o facto de “Isto não é um trabalho normal, é uma família” para mim, foi o que me agarrou. É mesmo uma família. Há mesmo uma predisposição para pessoas maravilhosas se unirem e construírem em conjunto uma nova cultura. Muito própria e só sua. Às vezes até é demais. Há que encontrar o balanço certo para não se tornar um vício.

Quem me conhece melhor sabe que sou farmacêutica e que nos últimos anos a minha vida não tem girado à volta de medicamentos ou saúde. “Saúde” talvez apenas nos imensos brindes pelas noites fora.

Após um percurso cheio de aprendizagens e diferenciado, cheguei até esta casa. Num anúncio meio estranho no Net-empregos e após uns skypes madrugadores, rumei a Nova Deli sozinha para uma formação. A minha mãe achava que podia ser uma rede de prostituição, que era estranho um português estar a chamar-me para a Índia. Após muita pesquisa online, lá se convenceu que poderia ser real. E foi. Embora não fosse a minha primeira vez na Índia, o facto de ir sozinha ter com um desconhecido dava-me um misto de mistério amedrontado que depressa se desvaneceu quando vi um rapaz de rabo-cavalo a acenar. Lá estava o Miguel. O Miguel trabalhava realmente na Zomato.

Depois de uns dias na Índia, bem intensos, era tempo de lançar esta nova empresa em Portugal e unir os foodies deste país. Dia após dia passámos a mensagem, trabalhámos muitas horas. Fazia-me lembrar os tempos de Associação de Estudantes, no meu caso a APEF e EPSA, onde estava horas e horas, na altura sem ganhar nada, horas e horas a inventar projectos e actividades para os alunos. Agora era um trabalho. Mas em vez de ser uma coisa aborrecida das 9h às 18h, a contar os segundos que faltam no relógio, eram imensas as vezes que me perdia nas horas e no tempo. Nos últimos anos passei certamente mais horas no escritório que em casa. Dias e dias a trancar a porta no fim. Com a empregada da limpeza a implicar comigo “Então menina, está cá outra vez? Vá para casa! Já são horas!”. Estive no conteúdo, fui uma community manager dedicada com um album imenso de Zelfies no meu facebook e voltei ao conteúdo como team lead para tentar usar a minha criatividade na equipa core da Zomato.

Conheci malta extraordinária nos meetups que organizávamos com quem ainda hoje mantenho contacto. Os meus foodies mais lindos! Que me cultivaram a arte do bem comer, me fizeram descobrir novos sabores e tendências.

Sim. Adorava o meu trabalho. Sempre com uma vontade imensa de unir pessoas que gostam de comida. Mas mais do que isso, e é disso que quero falar, adorei os seres mágicos com quem trabalhei. Os Zomans. A probabilidade de trabalhar numa empresa e criar daí realmente um grupo de amigos para a vida, pessoas de quem não nos queremos separar por nada, não costuma ser muito alta. Aqui, foi. É. Houve imensos momentos na minha vida, onde tive problemas, dias menos bons…e foram amigos meus Zomans que me deram a mão.

Na nossa vida, quando saímos da faculdade e o mundo nos atira para o trabalho, é difícil ter tempo para conhecer pessoas que sejam próximas de nós, que falem a mesma linguagem ou até completamente diferentes que nos possam ensinar coisas giras. É isso que estas novas empresas têm de cativante. Juntam pessoas com características muito interessantes com uma única coisa em comum: a atitude! Porque na vida é preciso sem dúvida, a atitude certa que nos faz superar a inércia dos dias.

Queria deixar um beijo enorme aos meus Zomans lindos que andam por esse mundo fora e com quem tive a oportunidade de trabalhar. Foi uma honra. Aprendi tanto. Obrigada. Continuem sempre a fomentar a arte da comida.

Da vossa user mais fofinha que brevemente chegará ao leaderboard da Zomato.

 

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