És de onde? Do mundo. Daqui. Dali.

Quando queremos perguntar de onde são as pessoas, queremos no fundo saber a sua origem. Onde nasceram e cresceram. O sítio onde vivem será certamente outra coisa.

Quanto mais viajo mais percebo que a percepção de casa é uma folha que voa com o vento. Há sítios onde caminhamos pelas ruas e facilmente nos orientamos, escolhemos o nosso mini-mercado de bairro, o local para o pequeno-almoço e criamos a nossa rotina normal. Facilmente é casa.

Ando a seguir as rotas e rotinas de nómadas digitais desde que trabalho na Remote Year. Pessoas que devido ao seu trabalho, podem estar em qualquer lado do mundo, têm um trabalho remoto. Desde que a conexão de internet seja boa, aquela será a sua casa. Ao mesmo tempo que trabalham, aproveitam os momentos mais livres ou pausas que precisam para conhecer a cidade e os seus recantos. Um balanço entre a produtividade e a descoberta de novas experiências, pessoas e lugares.

Porém, nem todos os sítios serão casa. Há uns onde nos integramos às mil maravilhas e outros, onde pela cultura, se tornam mais difícil de nos imiscuirmos. Neste momento estou em Valencia. Valencia pode ser facilmente um sítio que chamaria casa.  Embora Espanha e Portugal tenham as suas diferenças, a verdade é que somos muito parecidos e por isso nem sequer sinto qualquer choque cultural. Noutras zonas da Europa, já seria diferente. Mas para alguém da América, Índia, Nova Zelândia, acreditem que os nossos costumes são muito diferentes. Almoços que levam duas horas? É algo muito estranho para a maioria das pessoas de outras partes do mundo.

O nosso planeta está a mudar. Vivemos num mundo digital. Fazemos chamadas por Facebook e Whatsapp, arranjamos encontros e até namoros pelo Tinder, escolhemos restaurantes baseados em opiniões de quem seguimos na Zomato e tantas outras coisas. Acredito que daqui a alguns anos trabalhar remotamente na maioria dos trabalhos seja uma realidade. O trabalho remoto faz sentido. Porque se poupa dinheiro em infraestruturas para as empresas, os empregados ficam motivados porque têm a oportunidade de conhecer outras realidades e porque a tecnologia permite que isto seja possível.  Em vez de passarmos um ano a juntar dinheiro para aproveitar 22 dias em qualquer lado, podemos ir vivendo novas experiências à medida que trabalhamos. Haverá melhor ideia? Estou a amar!

Não digo que seja algo para fazer toda a vida. Para sempre. Mas pode moldar-nos um pouco, tornar-nos mais tolerantes e menos confortáveis.

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