O tempo é o bicho papão dos adultos.

Sobrevivi. Mais um ano a organizar uma passagem de ano para 200 pessoas e finalmente estou restabelecida.

São horas e horas de preparação. Encontrar o espaço ideal. Este ano escolhemos o Mirantense Futebol Clube. Detalhes logísticos. A escolha do tema. A escolha da animação. A mesa de mistura esteve a cargo da nossa já residente e amiga DJ Kinky e do DJ Cajokolo. Perceber se há restrições alimentares e que bebidas as pessoas gostam mais. Trabalhar e ao fim do dia entender se não falta nenhum pormenor. Andámos em corridas à Makro, corridas a lojas de adereços, visitas ao Babilónia…tudo em prol de algo que não quero que se perca nunca: Estarmos todos juntos pelo menos uma vez por ano.

Temos vidas cheias. Cheias de coisas. Cheias de tarefas. Cheias de chatices. Cheias de pouco tempo.

Queremos ver os nossos amigos, partilhar momentos, rir, abraços prolongados, desejos positivos e beber copos. No fundo queremos isso todo o ano. Não há tempo. O tempo é aquele bicho papão que nos assusta de noite quando somos adultos. Não nos deixa dormir. Queremos mais da nossa vida mas não é possível.

Há 3 anos, após algum tempo de começarmos a trabalhar, entendemos a dificuldade de juntar os amigos. As pessoas casam, têm filhos, emigram, têm de contar tostões para viver ou simplesmente abraçam novos hobbies ou projectos. As vidas mudam. Era tudo mais fácil quando estávamos todos na faculdade e não perdíamos uma festa. Era um crime perder uma festa.

Surgiu a ideia. Vamos organizar uma festa de amigos para amigos. Vamos simplesmente juntar todas as pessoas que queremos à nossa volta e permitir que tragam as pessoas que as fazem felizes também. Não há nada melhor que festejar na companhia de quem mais gostamos. Seja o que for. Se a vida vos leva para longe, cabe-nos a nós trazer a felicidade para perto. Há algo mais verdadeiro que um sorriso genuíno que floresce devido ao momento em que olhamos à volta e vemos imensas pessoas que nos fazem falta?

E é por isto. Isto apenas. Que vale mesmo a pena.

Horas e horas de pé a servir bebidas e distribuir sorrisos. Um cansaço inexplicável. Dores em músculos que não fazia ideia que existiam. Carregar caixas, esvaziar garrafas. “Queria um gin tónico”, “Queria vodka preta com sumo de maracujá”, ouvir pessoas que não entendem o conceito chamarem-me com um “Oh menina, menina, dá-me uma bebida”, mudar caixotes do lixo da casa-de-banho, apanhar copos…

É sempre um prazer. Meu e dos seis malucos que me acompanham nas melhores horas da minha vida.

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Obrigada a todos os presentes. Não deixem que o bicho papão chamado “tempo” se esconda no vosso armário. Se pedirem muito…fazemos mais festas 😉

 

Photo Credits: Andreas Graulund

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4 Comments

  1. Egas Moniz diz:

    Força!!! Venham mais! 😀
    Genica sempre!

  2. MissLilly diz:

    Tenho de reconhecer que te tiro o chapeu, organizar uma festa para 30 ja nao e facil, para 200 e mais gente que um casamento! Nao tenho duvida que foi mais uma festa brutal
    O que eu reparei com o passar do tempo e que o numero de amigos se reduz e passam a ser os amigos do peito, aqueles que podes nao ter a oportunidade de ver mas estao sempre la. Talvez por isso mesmo, e pela minha propria natureza prefiro sempre festas e jantares mais pequenos em que temos oportunidade de estar todos a volta da mesa e a conversar.

    • acrushon diz:

      Nos dias normais, é com os amigos próximos que queremos estar. Mas de vez em quando é bom juntar todos. Todos mesmo. 🙂

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